An-bu Custommotors – Building the Thrill of Speed

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É praticamente consensual terem sido os australianos Deus ex-machina os grandes percursores da nova vaga de alterações criativas nas motas, feitas por criadores privados e não pelas tradicionais oficinas. Mas, diz a lenda – e o próprio Dare Jennings confirma –,  as motas dos Deus foram inicialmente inspiradas nas preparações que se faziam no Japão, nas motas que se viam nas ruas. E é fácil perceber o porquê. Na verdade, o Japão contemporâneo combina um conjunto de ingredientes disponíveis para a emergência de culturas que aliam a criatividade, o arrojo e a precisão rigorosa, servidas pela sofisticação milenar que lhe é reconhecida.

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Enquanto na Europa as motas adquiriam um atrativo que lhes advinha da simples orientação para a performance, no Japão observava-se mais a diversidade na individualidade do que a procura do simples desempenho. Para isso, já lá tinham a indústria mais poderosa do ramo. As street bikes eram o veículo ideal para exibirem a criatividade e as ruas eram, como são sempre, o grande show room.

Mas, no Japão contemporâneo, as subculturas urbanas foram-se manifestando fortemente em diversas áreas sociais, sobretudo nas maiores cidades, como Tokyo, Yokohama ou Osaka. É praticamente a meio de uma linha entre Tokyo e Osaka que se situa Nagoya, a quarta cidade do Japão, capital do distrito de Aichi. Foi nesse contexto que nasceu e se criou Koichi Fujita, o homem que é sinónimo de An-Bu Custommotors, a casa que ostenta o nome do local onde se situa e que é mais que um negocio, é também o alter ego deste genuíno petrol head de Nagoya.

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Se o Japão é um país tradicional, Koichi também tem sido o guardião da herança de seu pai, o patrono da HagiAutomobile, com quem trabalhou desde os seus 16 anos. Até agora, aos 42 anos plenos de energia e experiência, nunca parou de estar mergulhado em carros, motos, corridas, construção e tudo o mais que compõe este mundo.

Não é só um mecânico, nem somente construtor, não é só o patrão de si mesmo, um lobo solitário que trabalha sozinho na sua oficina, é também um amante de velocidade e piloto de automóveis de competição, tendo corrido na Fórmula FJ1600, o equivalente japonês à Fórmula Ford, e na recente F4. Com as motos, corre em pista por mera diversão. “Foi na competição que aprendi de forma detalhada a importância de combinar a mecânica com a pilotagem, é daí que vem o feeling”, diz-nos Koichi.

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Como construtor, todo o processo é feito por si, pintura, bancos, carnagens, concepção e design, além, claro, de tudo o que é mecânico. Tem bastantes XS transformadas, um modelo que virou moda e que é muito abundante no Japão. “Há 20 anos, arranjava XS de graça, nem pagava por elas, agora são valiosas”, ri-se, um riso de quem já viu várias modas a passar. Por isso, não vai em modas, faz o que quer e a moda que segue é a sua maneira de estar. Ele faz a sua moda.

Como muitos de nós, gosta de revisitar as motas que o faziam sonhar na juventude. “Inspiro-me nas motas que corriam nas 8 horas de Suzuka, nos anos 80, gosto de ver fotos e filmes dessa época”. Já falámos da sua paixão por carros e motas, mas faltam os aviões, as grandes máquinas cuja possante mecânica e beleza são fascinantes. “A guerra foi horrível, mas os aviões da WWII são fascinantes e os caças e bombardeiros são também uma grande inspiração. É desses elementos, combinando delicadeza e potência, que é feito o estilo da An-Bu”.

Koichi, dá-nos a sua visão pessoal das motas. “Para mim, a velocidade é muito importante numa mota mas, nesse caso, bastaria andar nos últimos modelos desportivos das marcas. A vantagem de uma custom street-bike é poder ter imensa velocidade mas também um look muito cool. Mas quero realçar que tem mesmo que ser rápida, é o fator mais importante”.

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Falando do uso das motas no Japão, refere desde logo a abundância de todos os tipos e a familiaridade com o veículo. “A partir dos 16 anos podemos ter a carta de mota, a maioria dos homens no Japão tem-na. Acima dos 400cc têm que ir a uma inspeção de dois em dois anos e tem que se pagar uma taxa cara, por isso, há imensas motas que são abandonadas ou simplesmente saem de circulação, não faltando bases para trabalhar. Os carteiros e até os vendedores de jornais andam de Honda Cub, as 50cc são para as “tias” andarem às compras no dia a dia, as Harley-Davidson são conotadas com os ricos”. Também lá têm o jogo do rato e do gato. “Aqui, as modificações nas motas estão sujeitas a multa, especialmente os escapes ruidosos, por isso a ideia é evitar a polícia”.

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Koichi Fujita tem vários trabalhos seus publicados no BikeExif e tem vindo a obter o crescente reconhecimento que lhe é devido. Tanto faz motas por sua iniciativa como satisfaz encomendas de clientes. “Já fiz, por encomenda, XS650, XS400, XS250, GX400, GX250… sou bom a transformar estes modelos”. Nem precisava dizer, vê-se que sim. Sabe-se que sim.

A An-Bu Custommotors e Koichi são uma e a mesma coisa, tal como ele, as motas que faz, a sua atitude e a relação com as corridas e a velocidade são uma e a mesma coisa, ao ponto de se poder dizer que ele não faz. Ele é.

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Texto – Thruxtonic (Portugal) e Koichi Fujita (Japão).

Fotos – Enrico Salvador (Itália).